Energias Renováveis em Portugal

Diminua os custos com energia na sua empresa

Os custos fixos são os que mais necessitam de atenção dos empresários. Em época de crise mundial e diminuição do crescimento, economizar na hora de produzir é uma das metas da maior parte das empresas e indústrias.

Nesse sentido, deixar de pagar as altas contas à rede pública pode ser um sonho não tão distante. Países como os EUA, a Alemanha, a Inglaterra, o Japão, a Austrália e a Suíça já se utilizam da energia solar fotovoltaica como uma alternativa capaz de diminuir o consumo de energia eléctrica e ainda contribuir para a melhora significativa do nosso meio ambiente.

Com os incentivos governamentais, aos poucos a energia solar fotovoltaica também tem se tornado uma realidade em Portugal, fazendo com que muitos empresários comecem a pensar na possibilidade de instalar os kits de energia fotovoltaica em seus estabelecimentos. Se você é um desses empresários, veja algumas informações importantes que separamos. Entretanto se procura painéis fotovoltaicos preços, a GoSolar é a solução que aconselhamos.

Conheça as suas necessidades e opções

Antes de buscar por um kit de energia solar fotovoltaica é importante que você conheça as suas necessidades energéticas e as opções apresentadas no mercado.

O mais indicado para empresas é que você se torne um minigerador, vendendo a energia produzida à rede pública e, com isso, pagando o seu investimento e ainda dispondo de uma renda extra. Como muitas empresas e indústrias possuem uma área livre considerável para a instalação dos painéis, essa tem sido uma das opções mais vantajosas.

Porém, é importante que você saiba quais são as suas necessidades. Se a sua empresa não dispõe de nenhuma área livre com exposição solar para a instalação dos painéis, talvez essa não seja a solução mais indicada.

Também existe a possibilidade de você gerar energia através dos painéis, seja para alimentar algum setor da sua empresa, ou até mesmo para atividades como bombagem e irrigação. Nesse caso, você precisará considerar qual é, exatamente, a quantidade de energia da qual você necessita e então buscar um sistema que seja dimensionado às suas necessidades.

O que é uma unidade de minigeração?

Caso a sua empresa disponha de uma área livre, com bastante exposição solar e que esteja sem utilidade, que tal transformá-la em uma unidade de pequena produção (UPP)?

Neste caso, toda a energia que você produzir através do sistema fotovoltaico será vendido à rede de distribuição pública, o que irá lhe possibilitar uma óptima rentabilidade e lucros.

Se essa for a sua escolha, você irá necessitar de um gerador fotovoltaico, composto por um conjunto de painéis ligados entre si, capazes de transformar a luz solar em energia elétrica, além de um inversor.

A opção mais comum é por instalações fixas, em telhados, no solo e em outras áreas disponíveis. Nessa configuração, os painéis são instalados voltados para o Sul, com inclinação de aproximadamente 30º, o que permite maior rendimento da instalação e aproveitamento máximo da luz solar.

Também existem sistemas com seguidor solar, que otimiza a orientação do gerador fotovoltaico, de modo a potencializar ainda mais a produção de energia, mesmo em períodos de inverno.

Para que a sua empresa se torne uma minigeradora, ela irá necessitar de:

  • uma instalação de utilização e um contrato de compra de electricidade
  • instalação da unidade de geração em um local servido pela rede eléctrica pública
  • potência de ligação da unidade de geração menor do que a potência contratada no local de consumo
  • consumo de energia na instalação de utilização igual ou superior a 50% em relação à energia produzida na unidade de minigeração
  • realização de auditoria energética no local de utilização e implementação das medidas de eficiência energética

Como funcionam os sistemas eléctricos autônomos?

Além da minigeração, outra opção para quem quer dispor da energia solar em sua empresa são os sistemas eléctricos autônomos, que permitem alimentar um conjunto de cargas sem que haja necessariamente a presença de rede eléctrica pública.

Essa é uma boa escolha para locais que necessitam de um sistema de rega ou de fornecimento de água potável, telecomunicações, instalações de emergência, iluminação, sinalização rodoviária, bombagem, entre outras. Além de se configurar como a escolha ideal para empresas mais remotas que não dispõem de fornecimento de energia pela rede eléctrica pública, já que, neste caso, não há a necessidade de uma ligação.

Na maior parte das vezes, os sistemas eléctricos são compostos por:

  • módulos solares fotovoltaicos: captam a luz solar e convertem-na em energia eléctrica, com corrente contínua de 12 V, 21 V ou 48 V.
  • regulador de carga: efetua a gestão da carga da bateria, de forma a evitar sobrecargas e subcargas no sistema.
  • baterias: responsáveis por armazenar a energia produzida excedente, de forma que a mesma possa ser utilizada em períodos de pouca ou nenhuma exposição solar, como fim de tarde, noite e dias com nebulosidade.
  • inversor: equipamento que transforma a energia gerada pelas placas solares de contínua para alternada.

Com esse sistema é possível gerar autonomia para a sua empresa, já que o dimensionamento correcto permite a produção de electricidade suficiente para suprir algumas necessidades diárias de consumo e também economia por não ter de pagar altas contas à rede pública.

Quais as vantagens de dispor de um sistema de energia solar fotovoltaico em minha empresa?

Agora que você já conhece as duas possibilidades de dispor de um sistema solar em sua empresa, pode estar a se questionar sobre as vantagens de realizar esse tipo de investimento.

  • possibilidade de poupança: com alguns anos, tanto na minigeração como no sistema autônomo, é possível recuperar o investimento inicial feito pela compra do sistema. Como essa é uma tecnologia planejada para durar até 30 anos, é possível ter uma boa poupança seja não comprando energia da rede ou vendendo-a a preços interessantes.
  • valorização da sua marca: hoje está muito em voga a sustentabilidade e muitas empresas a usam como um diferencial para atrair clientes preocupados com o meio ambiente. Quer um slogan melhor do que o fato de você utilizar de energia limpa na sua produção?
  • ser amigo do meio ambiente: com o uso da energia solar, você estará a diminuir os impactos ambientais gerados pela sua empresa e contribuindo para a sustentabilidade.

Que pensa sobre ter um sistema de energia solar em sua empresa? Deixe sua opinião.


Vectores para o futuro das renováveis

Portugal tem percorrido um caminho exemplar no que concerne o aproveitamento de fontes de energia renováveis.

Num País em que a dependência energética ainda é significativamente elevada – 80% em 2021 , valor que se deveu sobretudo ao facto de 2012¹ ter sido um ano muito seco, abaixo de metade do ano médio, a introdução de renováveis possibilita a incorporação de uma importante componente nacional no mix energético.

Nos dias de hoje, a electricidade em Portugal representa 28,5%1 da energia final e maisde metade dessa electricidade tem origem em recursos naturais endógenos renováveis – o vento, a água, o sol, a biomassa, ... A sua utilização possibilita diminuir a importação de combustíveis fósseis, que possuem um peso muito elevado na nossa balança de pagamentos ao ao exterior e evitar a emissão de gases com efeito de estufa (GEE).

A publicação da Directiva Europeia² relativa à promoção da electricidade produzida a partir de fontes de energia renováveis no mercado interno da electricidade e do Programa E4³ - Eficiência Energética e Energias Endógenas em Portugal, ambos em 2001, possibilitou a criação de condições propícias ao investimento e ao desenvolvimento das renováveis.

Desde então, até aos dias de hoje, foram investidos por privados muitos milhões de euros; investimento que viabilizou as referidas poupanças na importação de combustíveis fósseis e na emissão de GEE. A estas acrescem inúmeros positivos impactos macroeconómicos, como a criação de uma verdadeira cadeia de valor em torno do sector energético em Portugal: criação de emprego, muito dele especializado; know-how, que hoje em dia já se encontra a ser exportado; construção de uma indústria de equipamentos, infra-estruturas e software; investigação e desenvolvimento tecnológico; desenvolvimento regional.

O potencial de incorporação de valor nacional que as renováveis possuem, não é encontrado em qualquer outra fonte de energia não renovável, seja fóssil ou nuclear, pois estas tecnologias são praticamente importadas na sua totalidade – desde os equipamentos ao combustível – empregando poucas pessoas e trazendo menor valor acrescentado.

Face ao panorama nacional e tendo em vista os próximos 25 anos, considero que existem três factores estruturantes para o sector energia em Portugal: (i) as alterações climáticas, (ii) a alteração do paradigma tecnológico e (iii) o armazenamento de electricidade.

No que concerne às alterações climáticas, estas têm-se revelado como uma inegável realidade. Todos os dias é possível verificar nos media, notícias alarmantes sobre fenómenos climatéricos extremos - chuvas torrenciais e inundações, secas extremas, furacões, vagas de calor, ondas de frio. Quem imaginaria possível que um furacão deixasse Nova Iorque debaixo de água, sem energia e telecomunicações?

Infelizmente foram atingidos os valores de CO2 na atmosfera mais elevados desde há vários milhões de anos – 400 ppmv. Também a Universidade de Berkeley4, publicou este ano dados que evidenciam que, nos últimos 250 anos, a temperatura no nosso planeta aumentou 1,5ºC. Estes são dados alarmantes que não mais podem ser ignorados.

O combate às alterações climáticas é uma necessidade premente e incontornável. E no caminho a percorrer para a descarbonização, não existe outra solução viável que não a utilização de fontes de energia renovável. A energia nuclear, que não possui associadas emissões directas de GEE, apresenta elevados impactos a todos os níveis – ambiental, económico e social. São disso exemplo o Japão, que após a tragédia de Fukushima promoveu o encerramento das suas centrais nucleares, tendo o último reactor nuclear sido desactivado em Setembro último. Também a Alemanha, após este dramático acontecimento, desactivou já oito das suas centrais nucleares, prevendo encerrar as restantes oito centrais até 2022.

A incorporação de renováveis, por seu lado, deve de ser incentivada nos três segmentos do sector energia – electricidade, aquecimento e arrefecimento e transportes. Esta será a única forma de o sector da energia, um dos maiores contributores para o aumento das GEE, auxiliar no combate às alterações climáticas.

Do lado da engenharia e da ciência os contributos são animadores. Um pouco por todo o Mundo, assistimos a uma revolução tecnológica; a maior de sempre, representando uma verdadeira alteração de paradigma. Informação em tempo real, integração maciça das tecnologias de informação em todas as fases do sistema energético, novos materiais, novas soluções a nível das biotecnologias e da genética, a multiplicação do número de consumidores/produtores, a penetração crescente da eletricidade na mobilidade, as novas baterias…

No sector da energia está-se a sair do laboratório para o terreno, com excelentes resultados na evolução das curvas de aprendizagem (learning curve) das diferentes tecnologias e na eficiência energética.

Por exemplo, desde o lançamento do Programa E4 em 2001 em Portugal até à data, um kW de solar fotovoltaico (ground mounted), sofreu já um abaixamento de 80% no que concerne aos seus custos de investimento. No caso da eólica, o custo por MW instalado já baixou de 30% no referido período. E apenas passaram pouco mais de 10 anos. Será fácil imaginar que maior maturidade e competitividade serão atingidas nos próximos 25 anos.

Se, quando a APREN iniciou a sua actividade, as renováveis eram ainda um acto de fé, no qual diversos investidores privados apostaram, por reconhecer precocemente as virtudes da utilizaçãode recursos limpos, endógenos e renováveis, hoje estas tecnologias ganharam já uma competitividade significativa. Competitividade que já chega ao consumidor final, em particular no que concerne às soluções de produção de electricidade descentralizada.

E a sua evolução continuará, à semelhança do que já aconteceu em outros sectores, como o das telecomunicações onde ocorreu uma especialização e massificação, acompanhada da necessária adaptação da rede. As mais-valias de uma tecnologia inicialmente cara rapidamente foram reconhecidas e a sua expansão não tardou. O mesmo acontecerá com as renováveis, se for garantido um quadro de estabilidade regulatória e se o custo das externalidades ambientais da produção e utilização de energia for incorporado, nomeadamente, nas energias fósseis.

A energia e, em particular, a electricidade é um vector importante para o desenvolvimento da humanidade. No caso da electricidade, uma das maiores limitações actualmente existentes é a impossibilidade da sua armazenagem em quantidades abundantes. À excepção claro, do armazenamento de energia potencial que se promove nas albufeiras de grandes centrais hidroeléctricas e da intercomplementaridade com outras fontes de energia renováveis que as em centrais hidroeléctricas reversíveis possibilitam.

Este é de facto um grande desafio para os próximos 25 anos. Futuramente teremos a rede a funcionar como uma bateria, possibilitando uma optimização entre a produção e o consumo.

Progressos neste campo, seja no domínio das soluções de pequena média dimensão ou das “baterias de rede” (baterias de metais líquidos por exemplo), possibilitarão a transição do sector dos transportes rodoviários para a electricidade, sector ainda muito dependente de combustíveis fósseis e responsável por uma grande parte das emissões de GEE. Esta transição terá um grande impacto no consumo de electricidade. E em Portugal, este necessário aumento do consumo de electricidade só poderá ser sustentável se suprido através de renováveis. Pelo que, o contínuo desenvolvimento das renováveis nos próximos 25 anos será necessário.

Portugal precisa de um novo Programa E4, que encare como vectores: (i) a promoção das fontes de energia renováveis e a eficiência energética, como um duo virtuoso, (ii) a aposta nas opções de utilização descentralizada das fontes de energia renováveis, (iii) a penetração de fontes e energia renováveis nos transportes e (iv) o investimento na inovação e desenvolvimento tecnológico e na incorporação de valor nacional no sector da energia.

Apenas uma aposta continuada e assertiva no aproveitamento das fontes endógenas e renováveis irá colocar Portugal no caminho para cumprimento com o seu papel como Estado-Membro da União Europeia no combate às alterações climáticas e na promoção de uma sociedade descarbonizada. Aposta que continuará igualmente a possibilitar uma maior independência energética, a criação de uma ainda maior cadeia de valor e a capitalização do know-how já existente no nosso País.

Faço votos que os próximos 25 anos sejam ainda mais profícuos para o desenvolvimento das renováveis do que o registado pelos primeiros 25 anos da APREN.